VERDINHA
Estou na frente do computador. Vejo vários pontinhos
verdinhos no MSN, todos de estranhos captados do mundo virtual, de sites de
relacionamento e de salas de bate papo.
Eu também sou um pontinho verdinho, esperando ansiosamente
ser chamada por alguns desses estranhos. Mas, nada. Ninguém me chama. E
continua verde. Por vezes fico amarela,que significa ausente, para dar a
impressão de que não estou tão disponível....outras fico vermelha, que
significa ocupada.A verdade é que tanto no mundo real, como no virtual é
difícil conquistar, disputar espaços e ganhar posições.
Eu sou uma mulher de meio século!
Nasci em uma época que era utopia viver essa nossa era
digital. Numa época em que as pessoas sentavam-se nas varandas das casas e
conversavam. Contavam o que tinham vivido durante o dia, falavam de gente
próxima, das pequenas tragédias e alegria do cotidiano.
Era uma linguagem simples, facilmente decifrável. Hoje
usam-se códigos, que identificam as “tribos”.E, nós com meio séculos já não nos
encaixamos em tribo alguma.
Mas, porque não saio daqui e vou para o mundo real? Porque
as pessoas da minha idade estão muito ocupadas tentando manter seus casamentos
e os solteiros muito ranzinza e descrentes em encontrar um relacionamento. Então
continuo em frente da tela e dos verdinhos, na esperança, que de repente um
deles fale comigo. E, mais difícil ainda, que eu entenda o que diz, que tenha o que dizer, histórias para contar.
Quem não está
habituado ao mundo virtual, não tem noção de como as conversas se esvaziaram. Resumem-se
em saber qual sua idade, se é bonita , se é alta, se é magra...pouco importando
quem é você. Ninguém quer ouvir sua opinião sobre qualquer coisa um pouco mais
profunda. Ser superficial é a regra máxima à ser seguida.
Mas, eu não desisto. Vou continuar “verdinha”, até que eu
aprenda o jogo do superficial ou, melhor encontre alguém que cansou-se dele.
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