sábado, 21 de janeiro de 2012

ENTRANHAS


ENTRANHAS

A dor do não vivido é mais intensa que a dor do mal vivido?
Arrependimento ou sensação de  dever cumprido?
O adeus é menos doloroso quando não se tem, quando aborta-se a possibilidade?
A saudade é do real ou do imaginário?
O medo embota as sensações, confude os sentidos.
Paralisa, aborta.
Atinge a superfície e vai até as entranhas, como um polvo.Envolvendo, devorando.
A vida de dentro é diferente da vida de fora.

domingo, 15 de janeiro de 2012

REFERENCIAIS


Morei no Rio de Janeiro durante os anos de pós graduação. Voltei, com meu filho, pela primeira vez, nesses 14 anos.Fui  leva-lo a um show de rock.Fui como acompanhante, sem obrigações. Só  aproveitar o mar e o sol.
Imaginei, porque me afastei tanto dos meus sonhos!
Eu planejei voltar anualmente ao Rio de Janeiro anualmente. E, na velhice queria voltar a morar no Rio.
Também poderia ser Paris ou Buenos Aires.Não poderia ser a minha cidade.Vivi aqui, nasci aqui, fui, voltei, mas  continuo sentindo-me uma forasteira.
Estou descobrindo que não é só a cidade, sou eu que não me adapto com a vida, pouco importa a cidade. Prefiro colocar a minha felicidade em um lugar distante e num tempo passado ou futuro. O presente me cansa, me paralisa.Não sei viver de realidades.Eu me nutro de sonhos e idéias perdidas.
Eu passo horas só pensando. Conjecturando, criando uma realidade para me abrigar.
Quando eu nasci meu pai enlouqueceu. Tomou um remédio tranqüilizante e depois bebeu para comemorar meu nascimento.Perdeu a noção da realidade.Ficou 45 dias completamente surtado.Dizia que tinha matado sua filhinha, tentou me estrangular.Tiveram que afastá-lo de nós duas, mãe e filha.
Foi o meu primeiro abandono. Mal cheguei ao mundo e meu pai fugiu.Foi para seu mundo secreto.Essa foi a história que me contaram.
Minhas lembranças de infância iniciam-se com a chegada do meu irmão. Eu tinha 4 anos.
Lembro de ir com minha avó de charrete visita-los na maternidade. Não sou tão antiga.Já haviam automóveis.Mas, minha avó adorava as charretes! E eu adorava minha avó.
Era uma manhã, com tempo nublado. Tomamos a charrete e o charreteiro cobriu-nos com um tipo de toldo azul.Quanta felicidade! A sensação de estar sendo levada por aquele animal imenso, me dava uma sensação de liberdade. Gostava de sentir o chacoalejar da charrete, até do cheiro do cavalo, eu gostava. Bosta de cavalo fresca...que luxo! Quem, hoje em dia conhece esse cheiro?  Hoje os carros estão cada vez mais sem cheiros. Aliás, o mundo está perdendo os cheiros.
No Oriente Médio, os cheiros estão sempre presentes. Andando por suas ruelas sente-se o cheiro forte de café com uma semente que eles torram junto.Que cheiro maravilhoso!
As cidades ocidentais perderam seus cheiros e com eles foram-se as memórias de um tempo. No Oriente o tempo parou. O cheiro de hoje é o mesmo de milhares de anos.Mantiveram seus cheiros e seus hábitos.Sinto-me segura nesse mundo.Tem referencial.
Eu e minha vó descemos e conheci meu irmão.Lembro de te-lo visto através do vidro do berçário.Pensei:”tadinho tão feinho e roxinho”.Não sabia que todos os bebês  nascem assim.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

VERDINHA


VERDINHA

Estou na frente do computador. Vejo vários pontinhos verdinhos no MSN, todos de estranhos captados do mundo virtual, de sites de relacionamento e de salas de bate papo.
Eu também sou um pontinho verdinho, esperando ansiosamente ser chamada por alguns desses estranhos. Mas, nada. Ninguém me chama. E continua verde. Por vezes fico amarela,que significa ausente, para dar a impressão de que não estou tão disponível....outras fico vermelha, que significa ocupada.A verdade é que tanto no mundo real, como no virtual é difícil conquistar, disputar espaços e ganhar posições.
Eu sou uma mulher de meio século!
Nasci em uma época que era utopia viver essa nossa era digital. Numa época em que as pessoas sentavam-se nas varandas das casas e conversavam. Contavam o que tinham vivido durante o dia, falavam de gente próxima, das pequenas tragédias e alegria do cotidiano.
Era uma linguagem simples, facilmente decifrável. Hoje usam-se códigos, que identificam as “tribos”.E, nós com meio séculos já não nos encaixamos em tribo alguma.
Mas, porque não saio daqui e vou para o mundo real? Porque as pessoas da minha idade estão muito ocupadas tentando manter seus casamentos e os solteiros muito ranzinza e descrentes em encontrar um relacionamento. Então continuo em frente da tela e dos verdinhos, na esperança, que de repente um deles fale comigo. E, mais difícil  ainda, que eu entenda o que diz,  que tenha o que dizer, histórias para contar.
Quem  não está habituado ao mundo virtual, não tem noção de como as conversas se esvaziaram. Resumem-se em saber qual sua idade, se é bonita , se é alta, se é magra...pouco importando quem é você. Ninguém quer ouvir sua opinião sobre qualquer coisa um pouco mais profunda. Ser superficial é a regra máxima à ser seguida.
Mas, eu não desisto. Vou continuar “verdinha”, até que eu aprenda o jogo do superficial ou, melhor encontre alguém que cansou-se dele.

Recomeço


Noite , sempre noite. A noite potencializa a alegria e a dor.A noite  as coisas tomam outra dimensão, muito maior.Talvez, por causa do silêncio, talvez porque signifique que um ciclo fechou-se.Amanhã o  recomeço, e como por encanto, retorna a esperança.
Afinal, temos um dia inteirinho só para “ser”, seja lá o que isso signifique.
Pode ser tomar uma séria decisão que vá mudar nossa vida radicalmente, pode ser o encontro de um novo amor, dar adeus à um trabalho chato...enfim...começar a viver.A noite é como se fosse uma pequena morte, um ensaio para a inexorável, a verdadeira.Aquela em que não haverá um amanhã para que consertemos os erros de hoje, nem que possamos mudar qualquer coisa. A morte é o fim da esperança.
Esperança... esperança...até quando é suficiente alimentar-se dela? Quanta coragem é suficiente para transformar a esperança em realidade.
 E, quando a decisão não é só nossa? Na verdade , decidimos pouco sobre nós, porque estamos sempre projetando nos outros os nossos desejos, sonhos, aspirações.Esquecemos, que nós somos o protagonista da nossa história.O enredo não te agrada? Mude. Mas, conscientemente. Assuma a mudança, não tente o caminho mais fácil.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Hoje começamos um diálogo com o nosso passado, presente e, por que não? Futuro!!